terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Alberto Caeiro

"Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas noites,
e minha voz contente da as boas noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto
O dia cheio de sol, ou suave de chuva
Ou tempestuoso como se acabasse o mundo,
A tarde suave e os ranchos que passam.
Fitados com interesse da janela.
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela e o candeeiro acesso,
Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim,
como um rio por seu leito,
E lá fora um grande silêncio
Como um Deus que dorme."


Salvador Dali
Jeune fille a la fenetre, 1925.

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